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Com alta da Selic, pedidos de recuperação judicial crescem 20%

  • Foto do escritor: a. pezzotti
    a. pezzotti
  • 22 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Desde que o Banco Central começou a elevar a taxa básica de juros Selic de 10,5%, em setembro de 2024, para os atuais 15%, um dos efeitos colaterais dessa política foi um aumento de 20% no número de empresas sob recuperação judicial no Brasil, que chegou ao patamar recorde de quase 5.300.


O que aconteceu

Pedidos de recuperação judicial crescem mais com elevação da taxa básica de juros. A quantidade de empresas do mercado brasileiro em crise financeira que acabaram buscando a Justiça para renegociar dívidas e evitar a falência cresceu 20% desde setembro de 2024, quando o atual ciclo de política monetária restritiva começou. O total chegou a 5.285 companhias, segundo dados levantado.


Nos primeiros meses de elevação da Selic, muitas empresas ainda conseguem postergar decisões mais estruturais, recorrendo a renegociações com instituições financeiras, alongamentos informais de prazos com fornecedores e uso intensivo de capital de giro. Com a manutenção dos juros em patamares elevados por um período prolongado, entretanto, o custo financeiro segue crescente, a dificuldade de rolagem das dívidas piora, e aumenta a compressão das margens operacionais, tornando a recuperação judicial uma saída mais frequente.

Rodrigo Gallegos, sócio da RGF especialista em reestruturação


A saída é reduzir as margens, mas, com juros elevados por tanto tempo, a operação vai ficando cada vez mais inviável.


André Sacconato, assessor econômico da FecomercioSP


Agronegócio está sofrendo mais com a Selic elevada. Embora não seja o setor com maior número de empresas em recuperação judicial no Brasil atualmente, o agronegócio é o que apresentou o maior crescimento e o maior percentual de companhias nessa situação. De cada mil CNPJs que atuam no agronegócio, 12,6 estão sob proteção na Justiça. Para comparar, a média nacional é de 2,04 empresas em recuperação judicial para cada mil.


A Selic elevada por muito tempo agravou problemas de companhias que já tinham potencial de pedir recuperação judicial por conta de fragilidades estruturais, alto grau de endividamento, margens comprimidas e baixa eficiência operacional.

Rodrigo Gallegos, sócio da RGF


Mercado vai demorar a refletir queda da Selic. Além de partir do percentual mais elevado em duas décadas, a redução da taxa básica de juros em 2026 terá efeito gradual no quadro da recuperação judicial no Brasil, porque esse movimento de queda no custo do financiamento demora para chegar à ponta — no crédito a empresas e consumidores.


 
 
 

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